Agora Interior

Sangue retirado de gatos em coleta clandestina era vendido por até R$ 800 em Monte Alto

Investigação aponta que tutores recebiam R$ 50 por gato e que animais eram sedados antes da retirada de sangue.

Por Ana Lins

Atualizado em: 20/09/2026, 04:17
Denúncia maus-tratos e associação criminosa é aceita em Monte Alto
Denúncia maus-tratos e associação criminosa é aceita em Monte AltoFoto: Reprodução/Divulgação
  • Bolsas com 50 ml de sangue eram revendidas por valores entre R$ 500 e R$ 800, segundo depoimento.
  • Cinco pessoas viraram rés após a Justiça aceitar denúncia por maus-tratos e associação criminosa.
  • Laudos apontaram animais abaixo do peso e risco de morte por hipovolemia, conforme a investigação.

O sangue de gatos coletado de forma clandestina em Monte Alto, no interior de São Paulo, era revendido por valores entre R$ 500 e R$ 800 a bolsa, segundo depoimento de um dos investigados anexado aos autos da segunda fase do caso. A investigação da Polícia Civil aponta que tutores recebiam R$ 50 por animal disponibilizado para a coleta e que os gatos eram sedados durante o procedimento.

Cinco pessoas se tornaram rés após a Justiça aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público. A decisão foi assinada em 10 de setembro pela juíza Suellen Rocha Lipolis, da 2ª Vara de Monte Alto.

Três dos acusados respondem por maus-tratos contra seis gatos e associação criminosa. Os outros dois respondem apenas por associação criminosa, porque os maus-tratos atribuídos a eles já são tratados em outro processo.

Como funcionava a coleta de sangue dos gatos

Segundo a investigação, cada tutor recebia R$ 50 por gato levado para a coleta. Uma bolsa contendo 50 ml de sangue poderia ser revendida por valores entre R$ 500 e R$ 800, conforme o depoimento citado nos autos.

A Polícia Civil também identificou pagamentos relacionados à captação e ao transporte dos animais. Entre os registros analisados estão uma diária de R$ 180, auxílio de R$ 25 para alimentação, um PIX de R$ 1.080 e um pagamento de R$ 400 a uma intermediária em Monte Alto.

Ainda de acordo com o inquérito, os gatos eram sedados com quetamina e dexmedetomidina. A investigação aponta que o procedimento teria sido realizado por um estudante que cursava o segundo ano de veterinária na modalidade a distância.

O inquérito indica que eram retirados 48 ml de sangue de cada animal, distribuídos em três seringas identificadas com o nome do gato e da tutora. Durante a abordagem, os agentes encontraram escalpes, tubos de coleta e bolsas armazenadas em uma caixa térmica, segundo a polícia.

Denúncia aceita pela Justiça envolve seis gatos

Embora depoimentos e mensagens analisados pela Polícia Civil mencionem quantidades maiores de animais, a denúncia aceita pela Justiça nesta ação penal trata de maus-tratos contra seis gatos.

Segundo a investigação, no dia da abordagem o grupo já havia coletado sangue de 28 animais. Em uma viagem anterior a Monte Alto, teriam sido 38 gatos. Uma mensagem de setembro de 2025 também menciona uma encomenda de 25 animais.

Os seis gatos são, portanto, o objeto da acusação formal por maus-tratos nesta ação. Os demais números aparecem em depoimentos e mensagens reunidos durante a investigação.

Laudos apontam risco aos animais

Laudos veterinários anexados ao inquérito apontaram que gatos estavam abaixo do peso e desnutridos, além de apresentarem risco de morte por hipovolemia, segundo a investigação. O termo se refere à redução do volume de sangue no organismo.

O Instituto de Criminalística, porém, informou não possuir metodologia validada para identificação animal. Por isso, os elementos periciais não devem ser apresentados como uma conclusão absoluta sobre todos os materiais apreendidos no caso.

Relembre o caso em Monte Alto

O caso veio à tona em outubro de 2025, depois que uma mulher encontrou um anúncio oferecendo R$ 50 por gato. Ela fingiu interesse na proposta e acionou a Guarda Municipal.

Na primeira fase da investigação, três pessoas foram presas em flagrante. Posteriormente, a prisão foi revogada, e os investigados passaram a responder ao processo em liberdade.

Na segunda fase, a Polícia Civil indiciou cinco pessoas, e o Ministério Público apresentou a denúncia que foi aceita pela Justiça. A ação penal agora trata formalmente das acusações apresentadas contra os cinco réus.