Uma pessoa aparece na porta da sua casa com uma suposta encomenda ou presente que você não pediu e diz que precisa tirar uma foto para confirmar a entrega. A situação pode parecer inofensiva, mas esse tipo de abordagem é usado em golpes que envolvem reconhecimento facial e serviços bancários.
O Banco Central alerta para o chamado golpe do presente, em que criminosos oferecem brindes ou produtos inesperados e pedem uma selfie sob o pretexto de confirmar o recebimento ou concluir um cadastro. As imagens e os dados obtidos podem ser usados em tentativas de abertura de contas ou contratação de empréstimos em nome das vítimas.
O alerta ganhou relevância após dois moradores de Orlândia perderem mais de R$ 36 mil ao caírem no golpe do falso presente.
O que fazer ao receber uma entrega inesperada
A principal orientação é não permitir que o entregador fotografe ou filme seu rosto para liberar um presente ou encomenda que você não solicitou. Também não forneça nenhum dado, como documentos, senhas, códigos recebidos por mensagem ou contas bancárias.
Antes de aceitar a oferta, confira se realmente existe um pedido ou uma promoção em seu nome. Entre em contato com a empresa pelos canais oficiais, sem utilizar telefones ou links fornecidos pelo desconhecido.
Desconfie especialmente de situações em que a pessoa insiste que a fotografia é obrigatória ou tenta apressar a decisão. Se não conseguir confirmar a origem da entrega, recuse o procedimento e não compartilhe seus dados.
Tirou a foto? Veja o que fazer para proteger suas contas
Se você já permitiu a fotografia ou suspeita que seus dados foram utilizados indevidamente, algumas medidas podem ajudar a reduzir os riscos:
Entre em contato com seu banco: use o aplicativo, o telefone oficial ou uma agência para informar a suspeita e verificar se houve abertura de conta, contratação de empréstimo ou movimentação desconhecida.
Peça o bloqueio ou cancelamento de serviços fraudulentos: se houver conta ou empréstimo aberto sem autorização, solicite formalmente a análise e o cancelamento da operação.
Troque suas senhas: altere as credenciais das contas financeiras e de outros serviços que possam estar comprometidos. Ative a autenticação em duas etapas quando disponível.
Consulte o Registrato: o sistema do Banco Central permite consultar informações sobre relacionamentos com instituições financeiras. O relatório de Contas e Relacionamentos (CCS) pode ajudar a identificar contas que você não reconhece.
Registre um boletim de ocorrência: reúna comprovantes, mensagens, datas, informações sobre o entregador e registros de movimentações suspeitas para apresentar às autoridades.
Essas medidas são recomendadas pelo Banco Central para pessoas que suspeitam ter sido vítimas de fraude.
Teve dinheiro retirado da conta? Agir rápido é importante
Se houve transferência via Pix relacionada ao golpe, entre imediatamente em contato com o banco e solicite a contestação da transação e a análise para utilização do Mecanismo Especial de Devolução (MED).
O pedido pode ser feito pelo aplicativo da instituição financeira. O mecanismo permite bloquear recursos disponíveis e analisar a suspeita de fraude, mas não garante a recuperação do dinheiro: o resultado depende da análise e da existência de valores nas contas envolvidas. O Banco Central informa que a solicitação pode ser feita em até 80 dias após a transação, mas recomenda agir o quanto antes.
Também é possível procurar o Procon caso o problema não seja resolvido. Em situações envolvendo contas, empréstimos ou movimentações desconhecidas, guarde os protocolos de atendimento e os documentos relacionados à contestação.






