Franca, SP — O relógio marcava o fim de tarde de uma sexta-feira, 28 de agosto de 2020, quando o jovem Wesley Pires Alves Filho, então com 13 anos, cruzou a porta de sua casa no Jardim Aeroporto IV. Ele avisou às irmãs iria até o varejão do bairro para comprar bananas e que retornaria em poucos minutos. Wesley nunca mais voltou.
Passados seis anos do sumiço, completados em agosto deste ano, o caso permanece como um dos maiores e mais angustiantes mistérios policiais do interior de São Paulo. Ao longo desse período, a investigação colecionou dezenas de pistas falsas, buscas frustradas e, mais recentemente, uma intensa reviravolta judicial que terminou na absolvição do principal suspeito apontado em uma denúncia anônima.
No final de 2026, Wesley completará 20 anos de idade.
Os últimos passos registrados por câmeras
Na data do desaparecimento, o adolescente vestia calça de tactel, um moletom colorido de personagens animados e chinelos. Câmeras de monitoramento residencial e comercial capturaram os últimos movimentos do garoto.
Diferente do combinado com a família, Wesley passou direto pelo varejão sem entrar.
O último registro e mais intrigante, mostra Wesley às margens da Rodovia Ronan Rocha, empurrando uma bicicleta. Como ele conseguiu aquele veículo e para onde pretendia ir são perguntas que a Polícia Civil de Franca tenta responder desde então, sem sucesso.
Falsa denúncia e a absolvição do suspeito
Em 2024, quatro anos após o desaparecimento de Wesley, o caso ganhou contornos dramáticos e voltou às manchetes nacionais. Uma auxiliar de cozinha procurou as autoridades e acusou o ex-marido, que trabalhava como garçom na cidade, de fazer parte de uma rede de pedofilia. Ela alegou que o homem havia abusado sexualmente de seus próprios filhos e que teria estuprado, estrangulado e enterrado o corpo de Wesley em uma área de mata.
Para sustentar a denúncia, os filhos menores do casal chegaram a dar depoimentos formais afirmando terem presenciado o assassinato de Wesley na cama do suspeito. A acusação provocou uma mobilização imediata: a Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros realizaram escavações de grande porte em fazendas e matagais da região. No entanto, nenhum vestígio físico ou prova biológica foi encontrado.
A resposta definitiva do Poder Judiciário veio em abril de 2026. O juiz responsável pelo caso absolveu o garçom de todas as acusações por absoluta falta de provas. O magistrado concluiu que os depoimentos das crianças foram, na verdade, uma invenção induzida pela mãe em uma tentativa de destruir a vida do ex-marido por vingança pessoal.
Em entrevista após a decisão, o garçom desabafou sobre o impacto devastador em sua vida, mencionando que perdeu o emprego, contraiu dívidas jurídicas severas e que as falsas alegações destruíram sua reputação.
O Ministério Público recorreu da decisão absolutória, e o processo agora tramita sob estrito segredo de Justiça.
Recompensa de R$ 100 mil
Diante de tantas pistas falsas e trotes cruéis que tiravam a "paz" da família a cada nova suspeita, os pais de Wesley optaram por manter um distanciamento da imprensa regional. Apesar disso, a esperança de encontrá-lo com vida nunca foi abandonada.
Para incentivar a colaboração popular com dados de credibilidade, a mãe de Wesley mantém ativa a oferta de uma recompensa de R$ 100 mil. Desse montante, R$ 85 mil foram doados por um empresário anônimo comovido com a história, enquanto R$ 15 mil foram poupados pela própria família.
As regras para o resgate do valor são rígidas: a quantia só será liberada perante a apresentação de provas concretas e confirmadas por imagem que revelem o paradeiro real do jovem.
Linha do tempo - Caso Wesley
- Agosto 2020: Wesley (13 anos) desaparece em Franca/SP após sair de casa.
- Julho 2024 : Denúncia acusa garçom de assassinato e ocultação do corpo; buscas falham.
- Abril 2026 : Justiça absolve o garçom e constata que o relato das crianças foi inventado.
- Agosto 2026: Caso completa 6 anos sem solução; investigações da DIG seguem abertas.
O inquérito policial conduzido pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Franca permanece formalmente aberto. As autoridades reiteram o apelo para que qualquer informação legítima sobre o paradeiro de Wesley Pires Alves Filho seja encaminhada de forma anônima por meio do Disque Denúncia (181) ou diretamente às forças policiais.






