Nova projeção prevê reajuste de 7,4% no salário mínimo, com aumento de R$ 120 mensais e impacto em benefícios do INSS e contribuição do MEI.
Por Léo Farias

O salário mínimo brasileiro poderá subir de R$ 1.621 para R$ 1.741 a partir de janeiro de 2027. Se a estimativa for confirmada, o reajuste será de R$ 120 por mês, o equivalente a um aumento de aproximadamente 7,4% em relação ao piso atual.
A projeção foi divulgada pelo Ministério da Fazenda em outubro de 2026 e supera a estimativa anterior, de R$ 1.717, apresentada no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O valor, porém, ainda não está confirmado e poderá mudar conforme os dados finais da inflação.
Para quem recebe exatamente um salário mínimo, a diferença representaria R$ 1.440 a mais em 12 meses, sem contar o décimo terceiro salário. Considerando também uma parcela adicional equivalente ao reajuste mensal, o ganho bruto anual chegaria a R$ 1.560.
A projeção de R$ 1.741 representa um aumento de R$ 120 no pagamento mensal dos trabalhadores que recebem o piso nacional. Confira a comparação entre os valores atuais e a estimativa para o próximo ano:
Os valores são brutos e dependem da confirmação do novo piso. Descontos aplicáveis podem alterar o valor líquido recebido pelo trabalhador.
Uma eventual alta do piso nacional não afeta apenas os trabalhadores com carteira assinada que recebem o mínimo. O valor também serve de referência para diferentes benefícios e pagamentos.
Entre eles estão as aposentadorias e pensões do INSS equivalentes ao piso previdenciário, o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o valor mínimo do seguro-desemprego e o abono salarial PIS/Pasep, cujo pagamento varia conforme os critérios do benefício.
Quem recebe aposentadoria ou pensão acima do salário mínimo segue regras próprias de reajuste. Por isso, o aumento projetado para o piso não significa que todos os beneficiários terão o mesmo percentual de correção.
Os microempreendedores individuais (MEIs) também poderão sentir o impacto do reajuste. Isso porque a contribuição previdenciária básica dessa categoria corresponde, em regra, a 5% do salário mínimo, além dos valores fixos de ISS e ICMS, conforme a atividade exercida.
Se o piso nacional passar para R$ 1.741, a contribuição previdenciária básica do MEI aumentará de R$ 81,05 para R$ 87,05 por mês, uma diferença de R$ 6.
O valor total do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) depende da atividade do microempreendedor e dos tributos aplicáveis.
Pela regra vigente descrita na projeção, o cálculo do reajuste considera a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) até novembro, além do ganho real permitido pelas regras fiscais.
O indicador é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e acompanha a variação de preços para famílias com renda de até cinco salários mínimos.
O valor definitivo deverá ser conhecido após a divulgação do INPC acumulado até novembro de 2026, prevista para dezembro. Caso a estimativa seja confirmada, o novo salário mínimo começará a valer em 1º de janeiro de 2027.
Até a definição oficial, os R$ 1.741 devem ser considerados uma projeção, e não um valor já aprovado.