O médico Luiz Antonio Garnica, acusado de envolvimento na morte da esposa, Larissa Rodrigues, por envenenamento em Ribeirão Preto (SP), está trabalhando na enfermaria do complexo penal de Potim, no interior paulista, enquanto aguarda julgamento. Segundo o advogado dele, Julio Mossim, o trabalho é um direito do preso provisório e pode contribuir para a redução de uma eventual pena em caso de condenação.

De acordo com o defensor, Garnica auxilia nas atividades da enfermaria por ser médico. A defesa argumenta que a acusação contra ele não tem relação com o exercício da profissão.

“O Luiz, como preso provisório, como qualquer preso provisório, tem direito ao trabalho. Então ele auxilia na enfermaria e o trabalho vai de acordo com a aptidão da pessoa presa”, afirmou Mossim.

O advogado explicou que, conforme as regras aplicáveis à remição de pena, a cada três dias de trabalho pode haver redução de um dia de pena. Os períodos trabalhados são registrados para eventual cálculo em caso de condenação.

“Tudo isso é registrado na ficha dele, porque ele tem que ter esse cômputo de dias trabalhados para remir, para diminuir eventual pena que ele venha a sofrer em uma eventual condenação no tribunal do júri”, declarou.

Defesa nega participação do médico e acusa a mãe dele

Garnica nega envolvimento na morte de Larissa e atribui o crime à própria mãe, Elizabete Arrabaça, que também é acusada no caso e está presa na Penitenciária Feminina de Tremembé (SP).

Segundo Julio Mossim, o médico afirma que não sabia que a mãe iria ao apartamento dele na noite relacionada ao crime e nega ter ajudado na morte da esposa.

“Ele imputa exclusivamente o crime à mãe dele, a senhora Elisabeth Arrabaça. Diz que não tem nenhum conhecimento, ele não auxiliou, sequer sabia que a mãe iria no apartamento dele naquela noite”, afirmou o advogado.

A defesa de Elizabete, por sua vez, também sustenta a inocência dela e considera frágeis as provas apresentadas contra a acusada. Ela não atribui ao filho a responsabilidade pelo crime.

Professora foi encontrada morta em apartamento

Larissa Rodrigues, de 37 anos, foi encontrada morta na manhã de 22 de março de 2025, no apartamento onde vivia com Garnica, no Jardim Botânico, na Zona Sul de Ribeirão Preto. Exames identificaram chumbinho no organismo da professora.

Segundo a investigação, no início de março Larissa havia descoberto que o marido mantinha um relacionamento extraconjugal. A Polícia Civil apurou ainda que Garnica e a mãe enfrentavam dívidas e teriam interesse em preservar o patrimônio do médico diante de uma possível separação e partilha de bens.

A conclusão da Polícia Civil e do Ministério Público é de que Elizabete teria começado a envenenar a nora a mando do filho, com o objetivo de evitar a divisão do patrimônio em um eventual divórcio. Essas são acusações apresentadas pelas autoridades e ainda serão submetidas à análise judicial.

O Ministério Público denunciou Garnica e Elizabete por feminicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que teria dificultado a defesa da vítima.

Além disso, o médico responde por suspeita de fraude processual. Conforme a acusação, ele teria alterado a cena do crime no dia em que Larissa foi encontrada morta.

O caso aguarda julgamento, e os acusados são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.