Doze pessoas ligadas à Voepass se tornaram rés pelo acidente aéreo que matou 62 pessoas em Vinhedo, no interior de São Paulo, em 9 de agosto de 2024. A Justiça Federal recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), que aponta possíveis responsabilidades de integrantes da empresa pela queda do avião.

O processo envolve os crimes de atentado contra a segurança do transporte aéreo e sinistro em transporte aéreo. Entre os denunciados estão integrantes da alta administração, diretores e outros funcionários que ocupavam cargos de chefia na época do acidente, além de dois trabalhadores sem funções de comando.

Denúncia aponta falhas de manutenção e pressão sobre equipes

Segundo o MPF, as investigações identificaram práticas internas que priorizavam a redução de despesas e a continuidade das operações, mesmo diante de riscos à segurança de passageiros e tripulantes.

A denúncia aponta que aeronaves teriam registros falsos de manutenção ou recebido reparos considerados precários, com peças de baixa qualidade e sem rastreabilidade. O órgão também afirma que funcionários sofriam pressão para não registrar falhas identificadas durante os voos ou nas inspeções em solo.

De acordo com a acusação, as condutas atribuídas aos denunciados contribuíram para criar condições que colocaram em risco a operação da aeronave ATR 72-500, de prefixo PS-VPB, que caiu em Vinhedo.

Outras quatro pessoas indiciadas pela Polícia Federal não foram incluídas na denúncia porque firmaram acordos de não persecução penal. Com o recebimento da denúncia pela Justiça Federal, os 12 acusados passam a responder à ação penal, na qual as responsabilidades individuais ainda deverão ser examinadas.