Um homem de 32 anos foi esfaqueado no ombro durante uma discussão com uma passageira dentro de um ônibus que seguia de Sertãozinho para Ribeirão Preto, na noite do último domingo (20). Jonatas Francisco da Rocha foi socorrido pelo Samu após a chegada do veículo ao Terminal Rodoviário de Ribeirão Preto e levado à UPA Oeste.
Segundo a Polícia Civil, Thaís Roberta Vieira da Silva, de 33 anos, admitiu ter golpeado o homem com uma faca e alegou legítima defesa. Ela afirmou ter sido ameaçada e agredida por um grupo de passageiros, enquanto Jonatas negou ter ameaçado ou agredido a mulher.
Versões apresentadas pelos envolvidos
Jonatas relatou que o ônibus deixou Sertãozinho por volta das 22h e que conversava com um amigo sobre uma festa de Halloween. De acordo com ele, os dois comentaram que poderiam usar fantasias de bruxa, quando Thaís, que estava acompanhada do filho, teria repreendido a dupla.
Ainda segundo Jonatas, a passageira chamou o motorista e afirmou que os dois deveriam descer, mas o ônibus não parou. Após a discussão, ele percebeu que estava com um sangramento intenso na região do trapézio, entre o pescoço e o ombro, e recebeu ajuda de uma passageira que seria enfermeira.
No boletim de ocorrência, Thaís afirmou que o grupo que a teria ameaçado e agredido havia participado da parada LGBT de Sertãozinho. Ela negou ter cometido homofobia e disse que pediu aos integrantes que parassem de falar palavrões e praticar atos obscenos porque estava acompanhada do filho, de 8 anos.
Jonatas negou as acusações apresentadas pela mulher e declarou à polícia que apenas conversava sobre a festa quando ela teria se irritado com o assunto e o agredido.
Investigação continua
A Polícia Militar foi acionada para atender uma briga dentro do ônibus, mas, quando chegou ao terminal, Jonatas já havia sido encaminhado à UPA. Os policiais localizaram Thaís em um endereço relacionado ao registro do veículo usado por ela, após descobrirem que havia deixado a rodoviária de carro.
Os dois foram levados à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Ribeirão Preto, ouvidos e liberados. Não houve prisão em flagrante, e o caso foi registrado como lesão corporal, ameaça e vias de fato, com os dois envolvidos apontados no boletim simultaneamente como autores e vítimas.
A Polícia Civil determinou que os envolvidos sejam ouvidos e solicitou exame de corpo de delito para Jonatas. O caso foi encaminhado ao 3º Distrito Policial, responsável pela área, e a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a CPJ mantém diligências para esclarecer os fatos.
Jonatas manifestou interesse em representar criminalmente contra Thaís e foi orientado de que possui seis meses para formalizar o pedido. A investigação deverá considerar as versões apresentadas pelos dois envolvidos.






